Parede abdominal

Hérnia umbilical: quando o umbigo “saltado” é cirúrgico

Em adultos, a hérnia no umbigo não costuma fechar sozinha — e, por ter um anel estreito, merece atenção. Entenda quando observar, quando operar e como é a correção.

Revisado por  Dr. Luiz Felipe Pitzer Jacob CRM-RJ 52-100560-0 · RQE 30049 Atualizado em agosto de 2026 6 min de leitura

01O que é a hérnia umbilical

O umbigo é uma cicatriz natural — o ponto por onde passava o cordão umbilical. Essa região da parede abdominal é naturalmente mais fraca, e quando o anel umbilical se abre, gordura ou alça intestinal podem passar por ali, formando a hérnia umbilical.

É uma das hérnias mais comuns em adultos, e fatores que aumentam a pressão abdominal favorecem seu aparecimento:

  • Gestações — causa frequente em mulheres
  • Obesidade e ganho de peso abdominal
  • Esforço físico repetido e levantamento de peso
  • Tosse crônica e constipação
  • Líquido no abdome (ascite), em algumas doenças

02Sintomas

  • Abaulamento no umbigo, que aumenta ao tossir, evacuar ou fazer esforço
  • Desconforto ou dor local, em geral proporcional ao esforço do dia
  • Em hérnias maiores, sensação de peso e alterações na pele local

Um detalhe importante: a hérnia umbilical costuma ter um anel estreito (o “colarinho” do defeito). Isso significa que, proporcionalmente, o risco de o conteúdo ficar preso (encarceramento) não é desprezível, mesmo em hérnias pequenas.

03Em crianças é diferente

Nos bebês, a hérnia umbilical é comum e a maioria fecha espontaneamente até os 4–5 anos de idade — em geral, apenas se observa. Cirurgia na infância fica reservada a casos que persistem após essa idade, defeitos grandes ou complicações.

Em adultos, é o oposto: o fechamento espontâneo não acontece. Hérnia umbilical sintomática em adulto tem tratamento cirúrgico.

04A cirurgia

A correção é feita pela via aberta, através de uma pequena incisão junto ao umbigo, preservando seu aspecto estético na grande maioria dos casos. A técnica depende do tamanho do defeito:

  • Defeitos pequenos: fechamento com sutura direta pode ser suficiente
  • Defeitos maiores ou recidivados: reforço com tela, que reduz a chance de a hérnia voltar
  • Havendo outras hérnias associadas, o planejamento considera corrigi-las no mesmo procedimento

O procedimento é relativamente rápido e, em muitos casos, a alta acontece no mesmo dia. Quando há diástase dos retos (afastamento dos músculos) associada, isso também entra na conversa do planejamento cirúrgico.

05Recuperação

Primeiros dias

Dor leve controlada com analgésicos; curativo simples; caminhadas leves liberadas.

1 a 2 semanas

Retorno às atividades cotidianas e trabalho sem esforço físico.

4 a 6 semanas

Liberação gradual para exercícios abdominais e carga, conforme revisão.

Consulte o guia de preparo e pós-operatório para os cuidados gerais.

06Sinais de alerta

⚠ Procure o pronto-socorro se

  • O caroço no umbigo ficou duro, dolorido e não reduz mais
  • Houver vômitos ou parada de gases e fezes
  • A pele local ficar avermelhada ou escurecida

07Perguntas frequentes

Não. Diferentemente do que acontece nos bebês, em adultos o defeito não se fecha espontaneamente. Quando causa sintomas, a correção cirúrgica é o tratamento indicado.

Na grande maioria dos casos o umbigo é preservado, com incisão discreta na sua borda. Em hérnias muito volumosas com excesso de pele, o planejamento estético é conversado antes.

Não sempre. Defeitos pequenos podem ser corrigidos com sutura; defeitos maiores se beneficiam da tela, que reduz recidiva. A decisão é individual, baseada no tamanho do anel herniário e nas características do paciente.

Em geral, a correção é adiada para depois do parto, salvo complicações. A hérnia deve ser acompanhada durante o pré-natal e a cirurgia programada com segurança depois.

Muitas vezes sim — por exemplo, junto à correção de outras hérnias. Essa combinação é avaliada caso a caso na consulta.

Dr. Luiz Felipe Pitzer Jacob

Escrito e revisado por

Dr. Luiz Felipe Pitzer Jacob

Cirurgião geral · CRM-RJ 52-100560-0 · RQE 30049. Mais de 10 anos de prática em cirurgia eletiva e de urgência, com formação no IRCAD e no Hospital Sírio-Libanês.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Diante de qualquer sintoma, procure avaliação médica. Em emergências, dirija-se ao pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).

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